Aparelhamento ideológico de Bolsonaro no Enem é grave, diz especialista

Governo teria retirado 24 perguntas da avaliação nacional por considerá-las ‘críticas’ ou ‘sensíveis’. A educação é uma grande vitrine para agendas ultraconservadoras do governo Bolsonaro, por isso sofre com essas intervenções, diz Andressa Pellanda, coordenadora geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

RBA – O governo de Jair Bolsonaro vem aplicando diversas estratégias para tentar controlar o conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e colocar “a cara do governo” na avaliação, conforme afirmou o presidente. Para Andressa Pellanda, coordenadora geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE), o aparelhamento ideológico da prova é grave.

“A frase do Bolsonaro coloca a educação em alerta. Havia tentativas de censura e interferência nas provas, mas agora há uma sinalização de que o Enem sofrerá um aparelhamento ideológico, o que é muito grave. É a principal porta de entrada do acesso ao ensino superior e deveria ser uma avaliação científica”, alertou a especialista ao jornalista Glauco Faria.

Na última segunda-feira (15), Jair Bolsonaro afirmou que o Enem começará agora a “ter a cara” do governo, após os 37 pedidos de exoneração de servidores do Inep, que criticaram essa pressão e a “fragilidade técnica” da cúpula da autarquia responsável pelas provas. De acordo com o jornal Estado de S.Paulo, o governo federal já fez a supressão de “questões sensíveis” na avaliação que será aplicada nos dias 21 e 28.

Segundo a reportagem, 24 questões foram retiradas após uma “leitura crítica”. Algumas foram consideradas “sensíveis”. Quem examinou uma primeira versão foi o diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Anderson Oliveira – que está no cargo desde maio.

Investigação do Inep

Os pedidos de demissão coletiva seriam uma forma de pressionar pela saída do atual presidente do Inep, Danilo Dupa. Em carta enviada pelos demissionários aos diretores do Inep, os servidores justificaram a entrega dos cargos falando em “fragilidade”.

Ontem (16), deputados da oposição pediram o afastamento cautelar do presidente do Inep. Eles se reuniram com a presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministra Ana Arraes, e protocolaram um pedido de auditoria permanente de acompanhamento e gestão do órgão ligado ao Ministério da Educação.

“O primeiro passo necessário é uma investigação sobre o que está acontecendo. É preciso pressionar para haver uma agenda segura e de isonomia no Enem. A gente tem denúncias de que as ações que garantem a segurança do Enem foram comprometidas. Portanto, é necessário mudar toda a estrutura atual do Inep, pois o problema vai além do atual presidente do órgão”, defende Andressa.

Educação em risco

Ao fragilizar o Enem, o governo Bolsonaro não só prejudica o acesso ao ensino superior, como dificulta o acesso a dados sobre déficits educacionais que ajudam na implementação de novas políticas públicas, explica a especialista do CNDE.

“Nós temos problemas de diagnóstico de dados no Brasil. Não haver um Censo já foi um sinal terrível e terá consequências sobre as populações mais vulneráveis. Com a interferência no Inep, nós devemos ter um aprofundamento na falta de dados na educação, já que é um órgão responsável por pesquisas educacionais que ajudam a entender a exclusão escolar”, acrescentou ela.

Na avaliação de Andressa Pellanda, a educação é uma grande vitrine para agendas ultraconservadoras do governo Bolsonaro, por isso sofre com intervenções. “O aparelhamento ideológico já ocorria em outros programas, como o Programa Nacional do Livro Didático, a militarização das escolas, o avanço do Escola Sem Partido. Portanto, é uma agenda política discriminatória e um carro chefe desse governo”, criticou.

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