O que é a COP26? Entenda a importância do encontro

Secretário-geral da ONU, António Guterres, vê cúpula como “última chance de virar a maré”, referindo-se às mudanças climáticas que já afetam o mundo. Segundo relatório divulgado em 9 de agosto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) atestou pela primeira vez, sem deixar margem para dúvida, que os seres humanos são responsáveis ​​pelo aquecimento global

RBA – Começa neste domingo (31) a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), principal cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater questões relacionadas ao clima. O encontro, que vai até 12 de novembro em Glasgow, na Escócia, é considerado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como a “última chance de – literalmente – virar a maré”, referindo-se às mudanças climáticas que já afetam o mundo.

O cenário atual exige não só iniciativas mais incisivas por parte dos países, mas também urgentes. Relatório divulgado em 9 de agosto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) atestou pela primeira vez, sem deixar margem para dúvida, que os seres humanos são responsáveis ​​pelo aquecimento global. Mostrou ainda que as mudanças climáticas hoje estão afetando todos os continentes.

Ainda de acordo com o IPCC, a temperatura da superfície global da Terra subiu 1,09 ℃ entre o período de 1850-1900 e a última década, o que é 0,29 ℃ mais quente do que o constatado no estudo anterior do IPCC, divulgado em 2013. Os dados evidenciam o tamanho dos desafios da COP26.

O que é uma COP?

Há quase três décadas, a ONU reúne quase todos os países do mundo para as cúpulas climáticas globais, denominadas COPs, que significa “Conferência das Partes”.

Após uma reunião realizada em 1992 no Rio de Janeiro, com o nome de Cúpula da Terra, foi aprovada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Neste tratado, as nações signat´´arias concordaram em “estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera” para evitar interferências perigosas da atividade humana no sistema climático. Este tratado, que passou a vigorar em 1994, hoje envolve 197 países.

Desde então são realizadas as cúpulas climáticas globais. Nesta COP26, assim como nos encontros anteriores, estarão presentes chefes de Estado e dezenas de milhares de negociadores, representantes do governo, empresas e cidadãos durante os doze dias de conversações. Até o momento, há mais de 30 mil pessoas inscritas para participar da reunião, representando governos, empresas, ONGs e entidades da sociedade civil.

O Acordo de Paris

A COP26 deveria ter sido realizada em 2020, mas a pandemia de covid-19 impossibilitou o encontro. A última reunião, a COP21, ocorreu em Paris, em 2015 e ali, pela primeira vez, todos os países concordaram em trabalhar juntos para limitar o aquecimento global a menos de 2 graus, tendo como objetivo chegar a 1,5 grau. Também se comprometeram a se adaptar aos impactos das mudanças climáticas e disponibilizar recursos para cumprir esses objetivos.

Assim nasceu o Acordo de Paris. Os países assumiram a tarefa de apresentar planos nacionais que estabelecessem o quanto reduziriam suas emissões, acertando também que a cada cinco anos voltariam com um plano atualizado que refletiria sua maior ambição possível naquele momento.

Contudo, os compromissos estabelecidos em Paris não chegaram perto de limitar o aquecimento global a 1,5 grau e, por isso, os entendimentos na COP26 se tornaram ainda mais cruciais para o futuro do planeta.

A COP26 e a ‘catástrofe climática’

Nesta semana, foi divulgado outro alerta pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O relatório 2021 sobre a Lacuna de Emissões mostra que as novas promessas climáticas apresentadas pelos países, combinadas com outras medidas de mitigação, não seriam suficientes para o quadro atual de emergência e não evitariam um aumento da temperatura global de 2,7°C até o final do século. O índice está bem acima dos objetivos do Acordo de Paris e levaria a mudanças catastróficas no clima da Terra.

Uma elevação dessa magnitude pode significar, entre outras consequências, um aumento de 62% nas áreas queimadas por incêndios florestais no Hemisfério Norte durante o verão, além da perda do habitat de um terço dos mamíferos no mundo e secas mais frequentes de quatro a 10 meses.

De acordo com o Pnuma, para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C neste século, a meta estabelecida no Acordo de Paris, o mundo precisa reduzir pela metade as emissões anuais de gases de efeito estufa nos próximos oito anos.

A redução seria essencial para evitar o que ochefe da ONU, António Guterres, chama-a de “catástrofe climática”, que já está sendo sentida em em partes mais vulneráveis do mundo, como a África subsaariana e os Estados das Pequenas Ilhas, atingidos pelo aumento do nível do mar.

Com informações da UN News

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