Greta Thunberg acusa governo brasileiro pela devastação na Amazônia

Ativista, chamada de “pirralha” por Bolsonaro, falou em sessão da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal e chamou de “vergonhosa” ação do presidente brasileiro em relação à natureza e aos indígenas, a ativista sueca falou por cerca de cinco minutos e criticou duramente o governo Bolsonaro.

Com Rede Brasil Atual

“O que os líderes do Brasil estão fazendo hoje é vergonhoso. É extremamente vergonhoso o que eles estão fazendo com os povos indígenas e com a natureza. O Brasil, claro que não começou essa crise, mas acrescentou muito combustível nesse incêndio.” Assim a jovem ativista sueca Greta Thunberg classificou a atuação do governo brasileiro diante da devastação da Amazônia e da crise climática que assola o mundo.

Greta, que já foi chamada pelo presidente Jair Bolsonaro de “pirralha”, participou de sessão virtual da Comissão do Meio Ambiente do Senado brasileiro nesta sexta-feira (10). A reunião debateu o o último relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU. Divulgado em agosto, o relatório aponta os efeitos nefastos da ação humana no aumento de 1,07°C na temperatura do planeta nos últimos anos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o documento do como “um código vermelho para a humanidade“.

Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), informa reportagem da Folha de S.Paulo, Greta culpou o governo brasileiro pela devastação da Amazônia. “O Brasil não tem desculpas para não assumir sua responsabilidade. A Amazônia, os pulmões do mundo, agora está no limite e emitindo mais carbono do que consumindo por causa do desmatamento e das queimadas. Isso está acontecendo enquanto nós assistimos, isso está sendo diretamente alimentado pelo governo. O mundo não pode arcar com o custo de perder a Amazônia”, disse.

Em agosto deste ano, a Amazônia registrou mais de 28 mil focos de queimadas. Esse é o terceiro pior resultado para o período nos últimos 11 anos. Os números são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e só ficaram atrás dos registrados também no governo Bolsonaro, em 2019 e 2020.

Ameaça aos indígenas

Quando tinha 16 anos de idade, em 2019, Greta Thunberg foi eleita a Pessoa do Ano da revista Time, um dia depois de ser xingada por Bolsonaro. Ela ganhou destaque depois de seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, naquele ano. Responsável pelo movimento “Fridays For Future” ou Sextas Pelo Futuro, Greta promoveu greves estudantis para pressionar líderes mundiais a pensar em políticas de combate à crise do clima.

No Senado Federal, ativista levantou também a bandeira das causas dos povos indígenas, destacando que muitos são ameaçados e mortos no Brasil e em outros países. “Esses acontecimentos no Brasil têm colocado em risco essa população e a própria Floresta Amazônica.”

O relatório

A ciência já previa e alertava para o aumento de eventos extremos, como tempestades, enchentes, furacões, ciclones, secas prolongadas e ondas de calor nas últimas décadas. Mas o estudo do IPCC quantificou, pela primeira vez, o aumento da frequência e da intensidade desses eventos e a relação com as mudanças climáticas.

Para o Brasil, relata a reportagem da Folha, o relatório projeta aumento das chuvas fortes no Centro-Sul, com grandes volumes de água concentrados em até cinco dias de chuva, enquanto o Nordeste e a Amazônia devem sofrer com períodos secos mais prolongados.

“Num cenário de aquecimento global de 4ºC, o país também deve ver alterações mais marcantes no volume de precipitação anual, que fica mais escasso na região Norte e mais volumoso no Sul e Sudeste”, explica. “Na região que abrange o Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, há estimativas de aumento de secas agrícolas e ecológicas para meados do século, em um cenário de aquecimento global de 2°C. Com a aridez, também se espera o aumento de climas propícios para incêndios, com impactos para os ecossistemas, a saúde humana, a agricultura e a silvicultura.”

A situação na Amazônia é muito grave. O número de dias por ano com temperaturas máximas superiores a 35°C deve aumentar em mais de 150 dias até o final do século, caso se mantenha esse cenário de aquecimento global superior a 4°C.

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