“Paulo Freire é o espírito da educação”, diz Marcia Tiburi

Próximo do centenário do patrono da educação brasileira, a filósofa e professora afirmou, em entrevista que o legado de Paulo Freire influencia educadores a implementar, até o dia de hoje, os métodos da pedagogia da autonomia. Ela enfatiza a ideia de que o conhecimento é o “novo”, a “transformação”, e critica a educação regimentada. Assista

247 – A filósofa Márcia Tiburi afirmou, em entrevista que o legado de Paulo Freire na história da educação influencia até os dias de hoje na formação de educadores, que demonstram um interesse cada vez maior em questões de autonomia, aulas fora da relação escolar e processos alternativos de aprendizagem.

A professora, que administrou cursos de pedagogia no passado, contou que, mesmo aqueles que não conhecem a fundo a obra de Freire implementam seu método “intuitivamente”. “Paulo Freire é o espírito da educação. Sua obra é tão profunda e tocou tanta gente mundo afora, porque é uma obra que revela o espírito de uma educação que faz sentido, que realiza aquilo que é a sua excelência. Qualquer pessoa que tenha um espírito democrático vai pensar numa educação que busque uma perspectiva de abertura ao outro como pessoa, como cultura, como natureza, como religiosidade, como potência do conhecimento”, explicou.

Ela criticou a educação regimentada, que busca a obtenção de resultados em detrimento da relação do aluno com o conhecimento: “Quem pensa a educação como um mecanismo de reprodução e de repetição das hierarquias, opressões e violências, pensa, na verdade, contra essa educação a qual a gente sonha, e a favor de um mecanismo de repetição. Os indivíduos passam a se relacionar não mais com o conhecimento, pois nunca estão relacionados com uma alteridade, mas estão sempre na posição de se tornarem embotados”.

Tiburi, que atualmente é professora de Filosofia, além de escritora, contou que busca implementar em suas aulas a ideia de que “conhecimento é o novo”. Algumas de suas sessões são abertas, fora da relação escolar, e enfatizam a “relação” do aluno com o conteúdo. “Isso é altamente freiriano, a ideia de que a educação é uma prática da vida cotidiana, que nascemos aprendendo e vamos até o fim da vida em processo de aprendizagem”.

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