Por que o vôlei de praia não trouxe medalhas para o Brasil nessas Olimpíadas?

Cada um dos atletas do vôlei de praia abriu mão de muita coisa, superou inúmeros desafios pessoais e profissionais para chegarem onde estão, “Esporte não é conquistado só na superação dos atletas nas arenas, é feito de políticas públicas” – Diz Carol Solberg, atleta campeã no vôlei de praia, uma das referências da luta pela democracia no esporte.

Por Carol Solberg

Vi muita gente criticando e querendo entender porquê o vôlei de praia não trouxe medalhas para o Brasil nessas Olimpíadas. Eu tenho certeza que o Brasil estava muito bem representado com as quatro duplas que se classificaram, todos os atletas super talentosos e que deram tudo dentro de quadra durante cada partida.

Ninguém que estava ali queria perder. É muito fácil criticar e atirar pedra sentado com a bunda no sofá. Cada um deles abriu mão de muita coisa, superou inúmeros desafios pessoais e profissionais para chegarem onde estão. Muita gente também não sabe que já faz tempo que o Brasil não é mais favorito como era há alguns anos.

Vários países europeus estão investindo muito nesse esporte e melhorando a cada ano, como Alemanha, Noruega, Canadá, Suíça, Rússia, Letônia, Catar e Austrália. Não é de hoje que eles vêm dominando o Circuito Mundial ao lado do Brasil e Estados Unidos.

Essas semifinais das Olimpíadas não são nenhuma surpresa para quem acompanha o Circuito Mundial de perto. O Brasil tinha todas as condições de ganhar o ouro, tanto no masculino quanto no feminino, assim como todas essas equipes que se classificaram para a fase final da competição.

Acredito que esta seja a Olimpíada mais equilibrada de todos os tempos, reunindo muitos times com condições reais de medalha.

O fato é que precisamos muito de políticas públicas efetivas no esporte brasileiro, que realmente valorizem e forneçam o suporte necessário para os atletas e as comissões técnicas trabalharem com qualidade em todas as modalidades.

Nesse ano de Olimpíada vale lembrar que o governo Bolsonaro acabou com o Ministério dos Esportes.

Foi criada então a Secretaria Especial do Esporte (uma pasta dentro do Ministério da Cidadania) que já teve três titulares em dois anos. Os dois primeiros foram demitidos pela resistência em nomear para cargos dentro da secretaria indicados por pessoas próximas ao presidente. No momento quem comanda a pasta é Marcelo Magalhães, padrinho de casamento de Flávio Bolsonaro.

Para completar, o programa Bolsa Atleta, criado pelo governo Lula em 2005, responsável pela manutenção dos atletas, está há 10 anos sem reajustes.

Além disso, o orçamento para o programa sofreu um corte de 17% entre 2017 e 2021, justamente no período de preparação dos atletas para o ciclo olímpico, segundo dados do jornal Estadão. Atualmente o programa tem orçamento total de R$ 145,2 milhões e contempla 7.531 atletas – 80% dos que estão em Tóquio dependem dele.

Se o Brasil quer de fato um dia estar no topo de um quadro de medalhas em uma Olimpíada, precisa pensar no esporte não somente no ano pré-Olímpico, precisa investir nas categorias de base, em quadras poliesportivas nas escolas públicas unindo esporte e educação, precisa investir em projetos esportivos em área de vulnerabilidade, em campeonatos nacionais de qualidade, valorizar os profissionais da área – muitos trabalham só pelo amor ao esporte.

Mas, principalmente, saber que o resultado no esporte não é conquistado somente na superação dos atletas dentro das arenas, o esporte é feito de políticas públicas efetivas. E nesse sentido estamos falhando há décadas.

Via Brasil de Fato

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