Diálogos apresentados à CPI por Blanco podem ter sido editados

Sessão chegou a ser suspensa após reação de apoiadores do governo. Coronel disse que só tratou de compra de vacinas para o setor privado, mas não havia legislação à época autorizando a negociação

Por Felipe Mascari

A sessão da CPI da Covid desta quarta-feira (4) foi suspensa por alguns minutos, após ter sido levantada a possibilidade de o ex-diretor substituto do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa, ter apresentado documentos editados aos senadores. De acordo com o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), o depoente apresentou suas conversas com o representante da Davati, Cristiano Carvalho, mas teria cortado parte das mensagens.

“Misteriosamente, a primeira mensagem que o Cristiano é de 16h39 e a conversa vai até 17h42. Porém, o senhor retirou parte das conversas, porque nós tivemos acesso às mensagens. Portanto, tem coisas que batem, outras não aparecem”, observou Aziz.

Em seguida, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) disse que os documentos e as conversas completas fazem parte da investigação e foram obtidas por meio de quebras de sigilo. A defesa de Marcelo Blanco, então, contestou a fonte dos documentos. “A defesa não pode questionar quem está inquerindo”, pontuou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). A base aliada também questionou, o que resultou em bate-boca e a sessão foi suspensa.

O tenente-coronel Marcelo Blanco é um dos pilares da denúncia de propina na negociação de compra da vacina AstraZeneca. Ele participou do jantar, em Brasília, onde teria sido feita a proposta. No último dia 15, o representante de vendas da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, afirmou à CPI da Covid, que o pedido de propina relativo à compra do imunizante teria partido do “grupo do coronel Blanco”.

Negociação com Dominguetti

Hoje, em sua oitiva, Marcelo Blanco disse que só negociou a compra de vacinas da AstraZeneca com o policial militar Luiz Dominguetti para o mercado privado. Ele relatou que essas conversas ocorreram em fevereiro, um mês depois de ter deixado o Ministério da Saúde.

Segundo Blanco, o objetivo da negociação era a “construção de um modelo de negócio no meio privado”. O relator Renan Calheiros, entretanto, rebateu e acrescentou que a negociação de imunizantes para particulares “era uma atividade absolutamente irregular”.

Os senadores da CPI apontaram que não havia uma legislação que autorizasse a compra de vacinas pela iniciativa privada, que foi sancionada só em 11 de março. “A primeira menção a se ter uma lei é do dia 18 de fevereiro. A primeira reunião ocorre no dia 21 de fevereiro, eu participei, sob a resistência do governo”, afirmou Randolfe Rodrigues.

Omar Aziz também questionou quais eram os interesses do militar para apresentar Dominguetti a Roberto Dias. O depoente disse que não queria tirar vantagem no acordo, após dizer que não conhecia o representante da Davati. Diante das respostas, o senador ironizou: “o senhor não conhecia o Dominguetti, mas o levou para encontrar o Roberto Dias no restaurante porque é uma boa alma. O senhor é muito bondoso, coronel”.

Via Rede Brasil Atual

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