Ministério da Saúde não questionou calote da Precisa durante negociações

Senador Humberto Costa aponta “tráfico de influência”. Enquanto isso a diretora diz que a Precisa “sempre foi 100% transparente” e desmentiu que houve qualquer irregularidade cometida pela empresa

Por Felipe Mascari

A diretora-técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, disse que, durante a intermediação na venda da Covaxin, o Ministério da Saúde ignorou a dívida da empresa com a pasta, após um calote em 2018. Afirmação dada na CPI da Covid, nesta quarta-feira (14), levantou suspeita do senador Humberto Costa (PT-PE), que apontou “tráfico de influência”.

A Global Gestão em Saúde S/A, que faz parte do mesmo grupo societário da Precisa Medicamentos, recebeu em 2017 R$ 20 milhões antecipados por medicamentos de doenças raras, mas que nunca foram entregues quando o ministro era o atual deputado Ricardo Barros (PP-PR). O caso tramita na 21ª Vara da Justiça Federal e ainda não foi julgado.

Emanuela foi questionada pelo senador Humberto se a Bharat Biotech, laboratório que produz a Covaxin, tinha conhecimento a respeito de investigação sobre a Precisa ter superfaturado o valor de testes em venda ao Distrito Federal, além do calote dado no Ministério da Saúde.

De acordo com ela, a Precisa “sempre foi 100% transparente” e desmentiu que houve qualquer irregularidade cometida pela empresa. “Eles tinham conhecimento sobre tudo”, acrescentou Medrades. Em seguida, disse ainda que ninguém no Ministério da Saúde invocou sobre o calote de 2018.

“Isso é grave, o Ministério em nenhum momento invocou a discussão da possibilidade de uma empresa envolvida numa fraude contra Ministério ser intermediária da aquisição de um contrato de R$1,6 bilhão”, criticou o senador.

Precisa é ‘jabuti na árvore’

Durante a CPI, Humberto Costa também perguntou se a empresa tem alguma experiência anterior na comercialização de vacinas. Emanuela respondeu que a empresa em si não tem experiência, mas os funcionários, sim. “É a primeira operação da Precisa”, disse.

O senador criticou a falta de critério do Ministério da Saúde para negociar com uma empresa “sem expertise na área de vacinação” e “com ficha corrida manchada por golpe no Ministério da Saúde”. “Jabuti não sobe em árvore. É evidente que a empresa tem um tratamento especial, demorando só 97 dias para vender uma vacina ainda sem registro na Anvisa. O próprio relatório do Coaf mostra várias relações financeiras suspeitas e nada foi levado em consideração”, alertou o senador.

Maximiano na CPI

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), anunciou mais cedo que o depoimento do sócio-diretor da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, marcado para esta quarta-feira 14, foi adiado para agosto.

De acordo com Aziz, não seria possível ouvir os dois no mesmo dia, pois há muitos senadores inscritos para apresentarem questionamentos à diretora da Precisa Medicamentos.

A pedido de Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a comissão já aprovou a quebra de sigilo telefônico, telemático, fiscal e bancário de Maximiano. Também foi quebrado o sigilo telefônico e telemático de Emanuela Medrades e aprovado o pedido para que a Polícia Federal compartilhe com a comissão o depoimento da diretora ocorrido na última segunda-feira (12). A CPI já recebeu a maior parte desses documentos.

 

Via Rede Brasil Atual

 

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