Lua: “Se o Bolsonaro acreditasse em Deus, ele não utilizava seu nome em vão”

Em entrevista, ex-presidente disse que está aberto para dialogar “com todo mundo”, independente da religião (entrevista completa aqui)

Por Luisa Fragão

O ex-presidente Lula (PT) concedeu nesta quinta-feira (27) uma entrevista exclusiva ao Fórum Onze e Meia, onde fez críticas à gestão do presidente Jair Bolsonaro na pandemia da Covid-19, comentou sobre o encontro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e falou sobre as suas expectativas em relação às eleições de 2022.

Ao comentar sobre a disputa eleitoral do ano que vem, o ex-presidente voltou a dizer que se lançaria candidato caso o PT considere que ele é a melhor alternativa para derrotar Bolsonaro no pleito. Lula disse que está aberto para dialogar com “todo mundo” e pessoas de todas as religiões. O ex-presidente criticou a postura de Bolsonaro em relação à fé.

“Eu não tenho problema em conversar com todas as religiões. Eu não quero saber se o voto é evangélico, católico, se é um voto muçulmano, se é da matriz africana. Eu quero saber é que o voto é de brasileiros e brasileiras, maiores de 16 anos e que vão votar na perspectiva de construir esse país. É assim que eu vou conversar com todo mundo. Eu sou religioso, sou um homem de muita fé”, disse Lula.

“E eu quero dizer pro povo que o Bolsonaro é o tipo do cara que não acredita no que ele fala de religião. Olhe nos olhos dele quando ele fala de religião. Ele tá mentindo. Ele não acredita. Se ele acreditasse em Deus, ele não utilizava o nome de Deus em vão como ele utiliza. É uma coisa que eu quero discutir com a sociedade brasileira”, completou o ex-presidente.

Ainda em relação aos planos para 2022, Lula disse que, se concorrer e for eleito, pretende dar continuidade à discussão sobre a regulação da mídia. “Na hora que eu decidir sobre ser candidato, qualquer brasileiro, qualquer dono de televisão, tem que saber que nós vamos fazer uma nova conferência para discutir uma nova proposta de regulação dos meios de comunicação nesse país”, assegurou o ex-presidente.

Para o petista, no entanto, a oposição não deve se bastar em elegê-lo como forma de combater o bolsonarismo. “Precisamos eleger muito mais gente”, disse Lula. “Se você vota em um presidente progressista, tem que votar em um conjunto maior de deputados progressistas. Os setores progressistas precisam voltar a governar para termos um país democrático, mas é preciso votar mais em negros, mais em mulheres, mais em gente que tenha compromisso com o povo trabalhador”, completou.

Encontro com FHC

Na entrevista, Lula também comentou sobre o encontro que teve com o ex-presidente FHC. Para ele, a conversa não serviu para alimentar divergências passadas, mas sim as convergências.

“Quando resolvemos no encontrar, é porque tínhamos interesses comuns para discutir. O primeiro deles é o restabelecimento da democracia no país. Eu digo sempre que era um prazer e era um luxo o Brasil ter o PT e o PSDB discutindo e disputando a Presidência. Era um partido que se dizia social-democrata e outro de esquerda. Era muito gratificante pro povo. Eu perdi duas vezes pro FHC e ganhei outras duas do PSDB e depois a Dilma ganhou mais duas vezes”, disse Lula.

Lula lembrou ainda que “era um momento civilizatório desse país. E eu dizia pro FHC que é anormal, pra quem ama a democracia, o Brasil ter um presidente tipo Bolsonaro. Porque ele é a negação da política, negação da democracia, do humanismo. Ele é tudo o que a gente jamais esperava que fosse governar esse país”.

CPI da Covid-19

Ao ser questionado sobre a sua avaliação em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investiga as ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro na pandemia, Lula disse que se sente otimista. Ele reforçou que os culpados pelo número alto de mortes no Brasil devem ser punidos.

“Eu estou torcendo pela CPI, assisto na medida do possível. Estou torcendo para que as coisas se encaminhem para que o povo saiba a irresponsabilidade absoluta do governo Bolsonaro”, disse o ex-presidente.

Lula também fez críticas à participação de Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em ato no Rio de Janeiro, no último domingo (23). “A sociedade chora mais de 450 mil mortes, chora profundamente. Eu fiquei pasmo quando o presidente resolveu fazer uma uma carreata de motocicleta e não teve uma palavra de alento às milhares de pessoas vítimas da Covid-19 no Brasil”, disse o petista.

“Eu acho que em algum momento essa gente vai ter que ser punida. Não é brincadeira carregar a quantidade de mortes nas costas que essas pessoas estão carregando”, completou Lula.

Confira a entrevista completa:

Via Revista Fórum

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