Casa Civil centralizou negociações do Covax Facility, diz Pazuello

Sobre a demora para a compra de vacinas e a decisão brasileira em aderir à cota mínima de vacinas no consórcio global Covax Facility, o general empurrou a questão para a Casa Civil, comandada pelo general Walter Braga Netto, que segundo ele centralizava as negociações.

Com El País/Metrópoles

Depois do ex-chanceler Ernesto Araújo afirmar à CPI que a opção por comprar a cota mínima de 10% da população (quando poderia ter aderido até 50%) partiu da Saúde, o general diz que seu ministério apenas apoiava as decisões, que seriam tomadas “em grupo, pelo colegiado” liderado por Braga Netto. “Era muito instável, era muito ruim não estar presente. Agora, apostar todas as fichas naquela opção de compra, não.” No dia anterior, Pazuello havia argumentado que cada dose custava 40 dólares e que havia incerteza sobre o recebimento dos imunizantes. Disse Pazuello na tarde de 20 de maio durante seu depoimento a CPI da Covid.

O general também negou inércia na negociação com a Pfizer. Disse nunca ter sido procurado pelo ex-ministro da Comunicação, Fábio Wajngarten, sobre a compra de vacinas e desconhecer o que o levou a entrar nas negociações com a farmacêutica.

Wajngarten creditou a demora para o acordo à “incompetência” da pasta e afirmou ter intermediado um contato com a farmacêutica pela falta de respostas do Governo sobre propostas de imunizantes. Esta versão foi confirmada à CPI na semana passada pelo presidente da farmacêutica na América Latina, Carlos Murillo.

O general insistiu que tinha autonomia para tomar decisões e que negociou ininterruptamente com a Pfizer, pressionando por recuo nas cláusulas impostas. Ancorou-se na tese de insegurança jurídica da legislação brasileira à época para explicar porque não comprou vacinas antes. Enrolou-se mais uma vez quando o senador Randolfe Rodrigues o questionou porque não atuou para alterar a lei e garantir segurança para a compra de imunizantes, como já solucionavam pareceres internos do Governo em dezembro. A medida só foi aprovada neste ano pelo Senado. O general respondeu que não havia consenso entre as assessorias jurídicas dos ministérios quando a questão foi debatida no ano passado. “Havia uma política antivacina”, avalia Rodrigues.

Durante cerca de sete horas, Pazuello sustentou não ter sofrido interferência de Bolsonaro ao longo dos 10 meses em que comandou a Saúde, versão contestada constantemente pelos senadores. “Posso afiançar aos senadores: sim, eu tive a liberdade de tomar decisões.” Senadores tentaram apontar as contradições do ministro, municiados até por dados e informações compiladas por grupos da internet, mas o general manteve, em geral, sua lealdade ao presidente. Ao menos até certo ponto.

Sempre pressionado e visivelmente nervoso, Pazuello tentou descolar-se o quanto pode da obsessão pela cloroquina. Ganhou, na live do presidente nesta quinta, um elogio de Bolsonaro: “O Pazuello foi muito bem e a CPI segue sendo um vexame.” Na transmissão, o mandatário aproveitou para repetir que tomou cloroquina quando teve covid-19 e também há poucos dias, quando se sentiu mal. Em mais uma atitude irresponsável contra o povo e e sua postura negacionista e charlatã.

Segundo o site Metrópoles, o general afirmou que o Brasil optou por solicitar a quantidade mínima de doses disponíveis por entender que o consórcio apresentava “riscos”. Caso o montante máximo fosse aceito pelo governo, o quantitativo de vacinas contra a Covid-19 seria suficiente para imunizar 50% da população brasileira.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) questionou o ex-ministro sobre os critérios adotados para que o governo federal recusasse comprar vacinas ainda em 2020 de farmacêuticas internacionais. “O senhor utilizou os critérios referidos como transferência de tecnologia e análise de custos como métricas?”, indagou. Pazuello, então, respondeu: “Uma das métricas, sim”.

“Vossa excelência está equivocada, a Constituição Federal brasileira coloca como valor máximo a defesa da vida. Em Israel o diferencial foi que o primeiro-ministro compreendeu o valor máximo da vida. Vossa excelência errou”, completou Vieira. Em mais um dia agitado na CPI da Cocid.

Com Metrópoles/El País

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