Lula no 1º de Maio: país vai superar devastação. Centrais pedem vacina, auxílio e impeachment

Em seu discurso para ato do Dia do Trabalhador, ex-presidente citou slogan de seu governo (país de todos) e lamentou a política que empobrece trabalhadores e classe média

Por Vitor Nuzzi

No encerramento do 1º de Maio organizado virtualmente pelas centrais, neste sábado (1°), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país está “devastado”, mas vai reencontrar o caminho do desenvolvimento. “Andamos para trás. A economia brasileira encolheu. Descemos ladeira abaixo”, disse Lula, um dos três ex-presidentes que participaram da atividade do 1° de Maio. Pouco antes, Dilma Rousseff (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) mandaram mensagens. Representantes de MDB, PCdoB, PDT, PL, PSB, Psol e SD fizeram pronunciamentos. Quase todos, assim como os sindicalistas, falaram em impeachment do atual presidente da República.

Lula fez menção aos 14 milhões de desempregados, além dos desalentados e subutilizados, somando 60 milhões “sobrevivendo em condições precárias”. Além de 4 milhões de trabalhadores em aplicativos, com “jornadas estafantes e perigosas para enriquecer patrões invisíveis”. Citou a política econômica “que enriquece os milionários e empobrece os trabalhadores e a classe média”. E falou em “construir de novo” o país.

Destruição de empregos

O ex-presidente Lula também citou na mensagem de 1° de Maio a Operação Lava Jato, que teria sido responsável pela perda de R$ 172 bilhões em investimentos, conforme estudo do Dieese. Sem citar nomes, afirmou que o “juiz que teve sua parcialidade declarada e os procuradores da força-tarefa” são também responsáveis pela destruição de mais de 4 milhões de postos de trabalho. “Maior que minha indignação é minha esperança. É preciso acreditar que este país pode voltar a ser um país de todos”, acrescentou Lula, citando slogan de seu próprio governo.

Pouco antes, Dilma fez referência à “catástrofe sanitária e social” do atual governo, lembrando que em um ano o número de mortos pela covid saltou de 6 mil para 400 mil. Segundo ela, o presidente “despreza a vida e desdenha quem chora pelos seus mortos”. “O governo neoliberal e neofascista jogou o Brasil no abismo”, afirmou. “Vamos lutar pela reconstrução do Brasil, e isso deve começar com vacina, renda digna, extinção da emenda do teto de gastos e defesa intransigente da soberania nacional.”

Impeachment é tarefa

Fernando Henrique fez um pronunciamento curto, concentrado no desemprego. “A questão fundamental no Brasil é reabrir a economia”, afirmou o líder tucano. “Que nós tenhamos um futuro mais auspicioso, com mais trabalho e mais possibilidade de viver melhor”, completou.

Último dos dirigentes sindicais a falar – presencialmente, em estúdio –, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, enfatizou a importância da ciência e da solidariedade para obtenção rápida da vacina. Defendeu o SUS e enfatizou o caráter histórico da data, afirmando que “não há um único direito” que não tenha sido resultado de mobilização dos trabalhadores. Agora, segundo ele, “não há tarefa mais importante para o movimento sindical do que o seu (de Bolsonaro) impeachment”.

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, defendeu, além da vacina, um programa de proteção de emprego e renda “para que possamos atravessar esse momento dramático”. Ele lembrou que foi o movimento sindical que conseguiu o valor de R$ 600 para oa auxílio emergencial no ano passado, enquanto o governo pretendia pagar no máximo R$ 200. Por isso, é urgente que o Congresso vote a medida provisória que restabelece esse valor. “Vamos convencer os deputados federais os senadores que coloquem pra votar a MP 1.039, e que a sociedade saiba que isso está sendo discutido e cobre de seus representantes.”

Projeto de desenvolvimento

Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, a “falta de aptidão (do governo) por um projeto nacional de desenvolvimento” provoca estragos no país. Não há, afirmou, política de valorização do trabalho e do trabalhador, e por isso é preciso discutir um “novo projeto, que dê voz a uma justa e correta política de geração de trabalho e renda”, no caminho da redução da desigualdade.

“O Brasil está mergulhado no caos”, disse o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio. Ele fez referência ao governo “e sua sabotagem às orientações da ciência, sua política de caos, desemprego e miséria”.

Já para o presidente da CSB, Antonio Neto, o país tornou-se “laboratório a céu aberto para transmissão desse vírus, pária internacional”, devido à inação do governo. “A saída é tirar esse governo, é derrotar esse genocida, derrotar esse política neoliberal”, acrescentou. Para Bolsonaro, as centenas de milhares de mortes registradas até agora “são apenas números”, lamentou o presidente da UGT, Ricardo Patah.

Ex-candidato à Presidência da República e à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (Psol) afirmou que o governo “investiu
no negacionismo genocida” e aplicou “o neoliberalismo criminosa corte sua”. Ele defendeu união de todas as forças “para colocar fim a esse pesadelo”, referindo-se a Bolsonaro.

“Com ele na presidência essa crise não tem saída. O Brasil, nosso povo, não aguenta sangrar até 2022. Hoje a gente ainda não pode tomar as ruas e praças como a gente gostaria, mas assim que for possível vamos encher das ruas do Brasil para derrotar de uma vez por todas esse governo genocida. Nós somos maioria. O Brasil é muito maior que Bolsonaro”, disse Boulos.

Ainda entre as centrais, o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, referiu-se ao atual mandatário como “elemento que despreza vidas e sabota a vacina”. Mas acrescentou que o governo está “derretendo nas pesquisas” e terá seus crimes revelados na recém-instalada CPI da Covid, no Senado.

Líder da Nova Central, José Reginaldo também destacou a atuação de Bolsonaro na pandemia: “Sabota medidas de segurança, normas de saúda, nega eficácia da vacina, o uso de máscara, sarcasmo, deboche, condutas altamente desprezíveis”. Com isso, apontou, “o mundo passa a ser proteger coletivamente do Brasil”. “Passamos a representar o mal, um risco humanitário”, lamentou.

O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT) disse que este é “o pior momento da moderna história brasileira”. Resultado, segundo ele, de uma “parceria trágica entre um vírus mortal e um governo criminoso”.

O que se reflete em desemprego, fome, desigualdade, menor poder aquisitivo em 15 anos do salário mínimo, “maior desmantelo” da indústria nacional e ameaças do Estado sobre a organização sindical. E defendeu o uso de “instrumentos democráticos para impor controle aos desmandos do atual governo”. Já o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que a democracia é essencial para a liberdade. Usando colete do SUS, defendeu a retomada da economia por meio de investimentos públicos e privados.

Os presidentes nacionais do PDT, Carlos Lupi, e do PCdoB, Luciana Santos, também mandaram mensagens para o ato. E a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann, afirmou que o único jeito de sair da crise é “tirando Bolsonaro de onde ele está”. Outros que gravaram depoimentos foram o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, o ator Osmar Prado e a ex-atleta Joanna Maranhão.

Chico Buarque não cantou, mas mandou mensagem de agradecimento. “Meu abraço e meu agradecimento às centrais sindicais por lutar por empregos, pela vida e pela vacina”, afirmou. Já Chico César fez um pot-pourri com Mama África, Brilho de Beleza (substituindo, na letra, Bob Marley por Marielle Franco) e Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré. E a organização pôs no ar a pungente Inumeráveis, que cita vítimas em ordem alfabética: “Se números frios não tocam a gente/ Espero que nomes consigam tocar”.

Depois de Johnny Hooker, foi a vez de Elza Soares e o rapper Flavio Renegado, com A Carne e Negão Negra, canções que denunciam o racismo. O segundo 1º de Maio virtual das centrais terminou com apresentação da cantora paraibana Lucy Soares.

Via Rede Brasil Atual

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